
VARELLA - Os antivirais, essas novas drogas popularmente conhecidas como "coquetel" possibilitam reduzir e até fazer desaparecer da circulação periférica as partículas virais. As pessoas infectadas, tomando remédios que suprimem a detecção do vírus, podem transmiti-lo por meio do contato sexual?
KALLÁS - Já foi estabelecido que quanto maior a quantidade de vírus existente no sangue, maior sua quantidade nas secreções dos órgãos genitais, ou seja, no esperma ou na secreção vaginal. Era de se imaginar que essa correlação se repetisse quando o número de vírus no sangue caísse. De fato isso acontece. Está demonstrado que, quanto menos vírus houver no sangue, menos partículas virais serão encontradas nas secreções. Embora ainda não sejam definitivos, alguns estudos teóricos a respeito do assunto sugerem que tal redução repercute na diminuição da capacidade de uma pessoa transmitir o vírus. É possível que em breve cheguemos à conclusão de que o tratamento com antivirais ajuda a diminuir a transmissão do vírus.
No entanto, há um aspecto que deve ser considerado. Aparentemente, os vírus não desaparecem totalmente. Estudo recente demonstrou que, usando técnicas mais sofisticadas de análise, é possível detectar algumas partículas no esperma de indivíduos infectados pelo HIV e submetidos ao tratamento com remédios que tinham revelado a carga viral negativa no sangue, isto é, o vírus não era encontrado nos exames convencionais de laboratório, mas podia ser detectado através de técnicas mais sensíveis. Portanto, mesmo nesse caso, existe risco teórico de transmissão, embora provavelmente seja menor.

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