terça-feira, 2 de junho de 2009

Prostituição e HIV

Discussões sobre identidade de gênero no País foram ampliadas com criação do programa de aids, diz Gabriela Leite no Roda Viva

“A prevalência de aids é uma das menores do mundo e o uso do preservativo é alto. Temos uma ótima parceria com o Ministério da Saúde”, acrescentou ela sobre parceria com o PN, estabelecida desde 1989 na prevenção da epidemia de HIV junto às profissionais do sexo.

Gabriela Leite também coordena a Rede Brasileira de Prostitutas. A intenção dela não é tirar as profissionais do sexo da rua, mas promover a cidadania e os direitos humanos das mulheres, com ações nas áreas de educação, saúde, comunicação e cultura. “É muita pretensão querer tirá-las de lá. Já sobre o movimento, acredito que ele não deve ser sisudo, com palavras de ordem, mas envolver outros aspectos, com arte e cultura. Temos um bloco de carnaval no Rio, Prazeres da Vida, que já faz parte do calendário oficial”, exemplificou.

Para ela, umas das formas de regulamentar a profissão seria excluir do código penal brasileiro os artigos que definem como crime manter o funcionamento de casas de prostituição. “Isso só ajuda a criar máfias de exploradores de prostitutas. É preferível assumir seus deveres com elas e recolher previdência social”, comentou. “Essa ilegalidade favorece o cárcere privado e fazem o que querem com as meninas”, acrescentou. Mas na opinião dela, o Congresso atualmente está muito “conservador” para aprovar uma lei que garanta o fim dessa punição.

Gabriela Leite foi prostituta em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro nos anos 70 e 80. Envolveu-se em manifestações para defender os direitos da categoria e em 1992 criou a ONG Davida.

“Prostituição existe porque há uma demanda na sociedade. E é um direito sexual. As pessoas fazem isso porque estão optando. Sempre tomei minhas decisões, por exemplo, em também ser prostituta. Quero ter minha vida. A prostituição adulta e consentida, sem preconceitos, é por isso que lutamos”.

Ela também apontou sua opinião a respeito do trabalho infantil. “Em uma sociedade ideal, criança não trabalha em nada! Não é só na prostituição... As pessoas dizem meu Deus, está na prostituição... Mas aí a criança está trabalhando lá na roça, sabe, cortando cana, com sete, oito anos de idade... Não devem trabalhar, e sim estudar!".

Atualmente, há no País um estudo envolvendo 11 capitais para levantar a violência praticada contra profissionais do sexo.

Gabriela é autora de dois livros, entre eles o autobiográfico intitulado "Filha, mãe, avó e puta", lançado pela editora Objetiva neste ano.

Os entrevistadores que participaram do Roda Viva foram Margareth Rago, professora titular do Departamento de História da Unicamp; Kátia Mello, editora de comportamento da revista Época; Sergio Torres, repórter da sucursal do Rio de Janeiro do jornal Folha de S. Paulo; e Carla Gullo, redatora chefe da revista Marie Clarie.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A sua opinião é importante para mim.

Quem sou EU?

Minha foto
Ubatuba, Litoral Norte, Brazil
Sou a Silmara, uma pessoa simples, risonha e de bem com a vida! Sou Coordenadora do Blablablá PositHivo, desenvolvido em parceria com a Prefeitura Municipal de Ubatuba, que tem como objetivo levar informações de DST/Aids em escolas e comunidades através do meu depoimento.Como coordenadora de literatura da Fundart criei o Projeto Psiu com a finalidade de descobrir e apoiar novos autores.Fui escritora sobre o Projeto Furnas, em Ubatuba.Tenho 25 crônicas classificadas em Concursos nacionais,inclusive o conto O Menininho Perdido classificado no concurso de Antologia Ponte dos Sonhos, na Alemanha e o poema Brava Gente de Ubatuba em Guadalaraja.Sou autora da cartilha Ambiente Vivo e do livro Flash, Você sabe o que eu tenho? Eu tenho amores, dores,senhores, sabores...Eu tenho atitude.E VOCÊ? Silmara Retti é madrinha do DTPK crew

Camisinha masculina?Como usar.