
Vereador de Campinas lança dúvidas sobre eficácia de coquetel de remédios contra a aids
O vereador iniciou seu discurso abordando a relação entre médicos e laboratórios. “O que temos visto na área da saúde são médicos comprados por laboratórios farmacêuticos. Senhores é uma máfia, talvez uma das maiores máfias que a gente já teve contato”, disse ele a respeito de profissionais que receitam remédios em troca de regalias.
Depois, relembrou uma manifestação ocorrida em 14 de agosto de 1995 no Paço Municipal de Campinas para reivindicar o coquetel antiaids, em que ele participou. “Hoje eu nunca faria isso. Por que nós dormimos no Paço Municipal? Para pedir o chamado “coquetel da aids”. Tenho dúvida se os remédios mais matam do que curam”, informou.
Também comentou sobre o programa brasileiro de combate ao HIV. “Não se faz nada em termos de prevenção. Sabe qual é o maior programa, elogiado pelo mundo, do programa da aids? É a distribuição de medicamento. São 986 milhões de reais por ano, do nosso bolso para a indústria farmacêutica, que está rindo à toa. Este é o grande programa, referência de aids no mundo”.
Para o Grupo Pela Vidda, as “afirmações são levianas e desinformadas, novamente ofensivas a todos nós, ONGs e governos, que nos engajamos permanentemente em ações, projetos e trabalhos de prevenção, embora tenhamos a convicção do quanto há que se avançar”. Sobre a eficácia dos medicamentos e o fato de que eles estariam matando pessoas, a ONG declara que “são inverdades gravíssimas que precisam ser reparadas. O tratamento da aids progrediu indiscutivelmente após a introdução, em 1995, dos medicamentos inibidores da protease, tornando mais potentes e eficazes as combinações de antirretrovirais”.
O Presidente do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinheiro, disse o político foi equivocado em suas declarações. “O tratamento contra a aids trouxe uma qualidade de vida e diminuiu o número de óbitos. Ele não pode desvalorizar o que aconteceu. Não dá para aceitar essa desmoralização do movimento, deveria reconsiderar o que disse”, comentou. Também acrescentou que o político precisa conhecer mais os trabalhos de prevenção no País feito por ONGs.
A Agência de Notícias da Aids procurou o gabinete do vereador Petterson Prado para ouvir sua versão, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.
Rodrigo Vasconcellos

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