.gif)
Cientistas comprovaram, pela primeira vez, que chimpanzés selvagens adoecem e morrem de uma versão da Aids. A descoberta desafia uma arraigada teoria científica de que os macacos em geral contrairiam o vírus símio, mas não desenvolveriam a doença e terá implicações importantes para o futuro da pesquisa da infecção pelo HIV em humanos e de vacinas e medicamentos para a enfermidade.
A comparação entre os vírus que causam Aids em chimpanzés e em seres humanos pode levar a uma maior compreensão sobre as respostas dos sistemas imunológicos das diferentes espécies, segundo Beatrice Hahn, da Universidade do Alabama, principal autora do estudo publicado na Nature. Será possível comparar também, de forma inédita, a evolução da doença nas duas espécies.
Os chimpanzés são os parentes mais próximos do homem e, portanto, um excelente modelo para estudos comparativos.
“Nossas descobertas nos permitem olhar para o HIV sob um novo ângulo, comparando a infecção em chimpanzés e em humanos“, afirmou a pesquisadora.
O estudo acompanhou 94 macacos do Parque Nacional de Gombe, na Tanzânia, ao longo de nove anos. O trabalho revelou que o SIV - o vírus símio precursor imediato do HIV, que teria cruzado a barreira entre as espécies em algum momento dos últimos 100 anos - causa uma doença similar à Aids nos animais. Até agora acreditava-se que esse vírus era assintomático em todos os macacos. Os cientistas constataram em chimpanzés, vários sintomas similares aos registrados por seres humanos e ainda uma redução progressiva das células T do sistema imunológico.
A cientista suspeita que, em comparação aos seres humanos, a proporção de macacos infectados que desenvolve a doença e morre é menor. Isso aconteceria porque eles estariam mais adaptados ao vírus do que nós e explicaria por que os cientistas levaram tanto tempo para constatar que os animais também tinham a doença.
“Isso não é simples de testar porque os chimpanzés não costumam entrar em clínicas e tirar amostras de sangue para teste”, justificou, com humor, Beatrice, em entrevista à New Scientist.
Segundo a cientista, futuras pesquisas com animais que levam mais tempo infectados até desenvolver os sintomas da doença similar à Aids podem indicar novos alvos para vacinas e medicamentos.
“Não conseguimos datar exatamente quando os primeiros chimpanzés foram infectados, mas certamente foi há muito mais de 100 anos”, afirmou a cientista ao New York Times. “Minha suspeita é de que, por isso, a infecção nos macacos não é tão devastadora quanto a registrada em seres humanos”.
Ao longo do estudo, os pesquisadores fizeram autópsias nos chimpanzés mortos e detectaram indícios de que os danos causados pelo vírus em órgãos e tecidos eram similares aos vistos nos casos de Aids em seres humanos. Mas algumas diferenças também foram constatadas, segundo a cientista.
“Essas diferenças nos fizeram especular que os macacos podem estar um passo à frente em matéria de adaptação ao vírus. Identificar esse passo pode ser muito importante”, afirmou.
Exceto pelos chimpanzés, como acaba de revelar o novo estudo, os demais macacos seriam infectados pelo vírus, mas não apresentariam sintomas. Isso aconteceria por alguma adaptação evolutiva antiga. A infecção dos chimpanzés seria mais recente - e por isso eles não estariam ainda totalmente adaptados - e a do homem mais recente ainda. Comparar os vírus será fundamental à pesquisa.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
A sua opinião é importante para mim.