domingo, 21 de junho de 2009

Efeitos Colaterais



Todos os profissionais da área da saúde sabem: em qualquer tipo de terapia, estão previstos os efeitos adversos esperados e os inesperados. Basta uma substância penetrar no organismo para gerar reações que nem sempre são as desejadas. "Isso acontece porque os medicamentos não têm inteligência própria. Ou seja, eles não agem apenas no foco principal. Assim, acabam provocando alterações no metabolismo do indivíduo", analisa o infectologista Estevão Portela, do Projeto Praça Onze da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Quando oferecemos uma opção de tratamento ao paciente, acreditamos que o balanço entre benefícios e problemas causados pela medicação seja positivo", diz o infectologista. Os efeitos adversos são mais um desafio que o profissional de saúde precisa enfrentar, principalmente quando tem que convencer o seu paciente de que, apesar desses transtornos, o tratamento vale a pena.

OS EFEITOS ADVERSOS E O INÍCIO DO TRATAMENTO
Os efeitos adversos assumem uma função primordial na hora da prescrição da terapia anti-retroviral. Segundo Estevão Portela, o profissional de saúde, na hora de optar por um esquema terapêutico, deve adequar as possibilidades de combinações existente à realidade do paciente, levando em consideração o impacto que os efeitos adversos podem causar na vida da pessoa. "Não podemos partir de uma idéia pré-concebida de que um esquema com menos comprimidos, mas com um efeito adverso esperado de desconcentração, será o esquema ideal para um piloto de avião ou para um motorista de caminhão. Provavelmente, não será", reflete o infectologista. Por isso, Portela acredita que os efeitos adversos devem ser claramente apresentados ao paciente antes da prescrição de qualquer esquema terapêutico. "No início do tratamento com os antiretroviais, o ideal é escolhermos combinações terapêuticas em conjunto com paciente e acompanhá-lo no primeiro mês com freqüência, auxiliando-o nessa fase de adaptação", sugere o infectologista.

QUANDO A OPÇÃO É A MUDANÇA DO MEDICAMENTO
Outro desafio relacionado aos efeitos adversos é a decisão pela mudança de terapia. Muitas vezes, mesmo com carga viral indetectável e CD4 restabelecido, algumas pessoas se sentem muito incomodadas com os efeitos adversos e pressionam pela troca de esquema, a ponto de porem em risco a adesão do tratamento. Para esse dilema, o infectologista Estevão Portela sugere: "Primeiro, precisamos explicar ao paciente que aquele efeito adverso pode não estar associado à medicação. Às vezes, não está. Por isso, é fundamental investigar a relação da droga com as queixas do paciente", sugere o infectologista. Outro aspecto importante é esclarecer ao paciente que ele não estará livre dos efeitos adversos das drogas e os que surgem no início do tratamento tendem a diminuir, em média, em um mês. "Mas se for um efeito adverso absolutamente incontrolável, o profissional deve avaliar a mudança do esquema. Temos que evitar que o paciente, por conta própria, tente manejá-los, comprometendo a adesão ao tratamento", ressalta Portela.
Segundo o infectologista, os efeitos de curto prazo, geralmente, são mais fáceis de reverter, diferentemente dos efeitos a longo prazo, como a lipodistrofia, por estarem associados a lentos processos metabólicos em nível de biologia molecular e celular. "Mas, no caso das dislipidemias, por exemplo, podemos caracterizá-las através de exames laboratoriais", lembra o infectologista.

O MÉDICO NÃO PRECISA TRABALHAR SOZINHO
O infectologista Estevão Portela é um defensor da integração entre as diversas especialidades para o tratamento da aids. "Cada vez mais temos que pensar nos diversos aspectos da vida da pessoa. Logo, contar com profissionais de diversas áreas nos auxiliando é muito importante, seja da enfermagem, da saúde mental, da nutrição. Toda a equipe cresce com isso", acredita Portela. Porém, o infectologista é categórico em afirmar que "o médico não pode, com isso, se esquivar de determinadas tarefas. O profissional tem que ter consciência dos diversos aspectos envolvidos na terapia e participar ativamente de todos eles, trocando informações e impressões".
Segundo Portela, cabe também ao profissional de saúde identificar efeitos colaterais não previstos no tratamento que aparecem com o tempo. "A partir do momento em que a demanda por novas modalidades terapêuticas aumentam e estudos são liberados com tempo menor de observação, o profissional da ponta precisa ficar atento a manifestações não freqüentes que possam surgir, principalmente em populações específicas, como grávidas e coinfectados por hepatites, por exemplo. Quanto mais diversificada for a equipe, maior será a possibilidade de identificarmos problemas mais rapidamente", explica Portela.

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Ubatuba, Litoral Norte, Brazil
Sou a Silmara, uma pessoa simples, risonha e de bem com a vida! Sou Coordenadora do Blablablá PositHivo, desenvolvido em parceria com a Prefeitura Municipal de Ubatuba, que tem como objetivo levar informações de DST/Aids em escolas e comunidades através do meu depoimento.Como coordenadora de literatura da Fundart criei o Projeto Psiu com a finalidade de descobrir e apoiar novos autores.Fui escritora sobre o Projeto Furnas, em Ubatuba.Tenho 25 crônicas classificadas em Concursos nacionais,inclusive o conto O Menininho Perdido classificado no concurso de Antologia Ponte dos Sonhos, na Alemanha e o poema Brava Gente de Ubatuba em Guadalaraja.Sou autora da cartilha Ambiente Vivo e do livro Flash, Você sabe o que eu tenho? Eu tenho amores, dores,senhores, sabores...Eu tenho atitude.E VOCÊ? Silmara Retti é madrinha do DTPK crew

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