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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

CRACK

O Crack é uma forma impura de cocaína, seu nome deriva do inglês "to crack", que significa quebrar, devido aos pequenos estalidos produzidos pelos cristais ao serem queimados, como se quebrassem. A fumaça produzida por sua queima chega ao sistema nervoso central em dez segundos, seu efeito dura de 3 a 10 minutos, sendo de 5 a 7 vezes mais potente do que a cocaína, o crack é também a forma mais cruel e mortífera entre os dependentes.

Causa euforia mais forte do que a cocaína, possuindo um poder avassalador para desestruturar a personalidade, agindo em prazo muito curto e criando enorme dependência psicológica, levando o usuário a usar essa droga novamente para tentar compensar o mal-estar, provocando assim uma intensa dependência.


O usuário pode apresentar alucinações e paranóia (ilusões de perseguição), entre os riscos de sofrer hemorragia cerebral (AVC) e a destruição de neurônios, também provoca a degeneração dos músculos do corpo, outros sinais importantes são euforia, desinibição, agitação psicomotora, taquicardia, dilatação das pupilas, aumento de pressão arterial e transpiração intensa. São comuns as queimaduras nos lábios, na língua e no rosto pela proximidade da chama do isqueiro no cachimbo, no qual a pedra é fumada.


A maioria das pessoas que consome bebidas alcoólicas não se torna alcoólatra. Isso também é válido para outras drogas. No caso do crack, com apenas três ou quatro doses, às vezes até na primeira, o usuário se torna completamente viciado. Após o uso, a pessoa apresenta quadros de extrema violência, agressividade que se manifesta a princípio contra a própria família, desestruturando-a em todos os aspectos, e depois, por consequência, volta-se contra a sociedade em geral, com visível aumento do número de crimes relacionados ao vício em referência. O uso do crack frequentemente leva o usuário que não tem capacidade monetária para bancar o custo do vício à prática de delitos, para obter a droga. Os pequenos furtos de dinheiro e de objetos, sobretudo eletrodomésticos, muitas vezes começam em casa. Muitos dependentes acabam vendendo tudo o que têm a disposição, ficando somente com a roupa do corpo. Em alguns casos, podem se prostituir para sustentar o vício. O dependente dificilmente consegue manter uma rotina de trabalho ou de estudos e passa a viver basicamente em busca da droga, não medindo esforços para consegui-la. O crack pode causar neurofilexia e doenças reumáticas, podendo levar o indivíduo a morte.


As principais causas de morte entre os usuários,são resultantes de brigas em geral, ações policiais e punições de traficantes pelo não-pagamento de dívidas contraídas nesse comércio. Outra causa importante são as doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV por exemplo, por conta do comportamento promíscuo que a droga gera. O modo de vida do usuário, enfim, o expõe à vitimizacao, muitas vezes e infelizmente, levando-o a um fim trágico.


Um estudo realizado pelo pesquisador Marcelo Ribeiro de Araújo que acompanhou vários dependentes de crack internados em clínicas de reabilitação, concluiu que usuários de crack correm risco de morte oito vezes maior que a população em geral. Cerca de 18,5% dos pacientes morreram após cinco anos. Destes, cerca de 60% morreram assassinados, 10% morreram de overdose e 30% em decorrência de AIDS.
Outras drogas, sobretudo a cocaína, funcionam, via de regra, como porta de entrada para o crack por falta de dinheiro, para sentir efeitos mais fortes, ou ainda por curiosidade. Assim, na degenerescência do vício, o crack aparece como o degrau mais baixo, o "fundo do poço" para um ser humano.


Atualmente, pode-se dizer que há uma verdadeira "epidemia" de consumo do crack no País, atingindo cidades grandes, médias e pequenas.
As chances de recuperação dessa doença são muito baixas, pois exige a submissão voluntária ao tratamento por parte do dependente, o que é difícil, haja vista que a vontade de voltar a usar a droga, é grande demais. Além disso, a maioria das famílias de usuários não tem condições de custear tratamentos em clínicas particulares ou de conseguirem vagas em clínicas terapêuticas assistenciais. É comum o dependente iniciar, mas abandonar o tratamento.


Casos extremos, de famílias que não conseguem ajuda no sistema público de saúde, são cada vez mais comuns. A melhor forma de tratamento desses pacientes ainda parece ser objeto de discussão entre os especialistas. A recuperação não é impossível, mas depende de muitos fatores, como o apoio familiar, da comunidade e a persistência da pessoa com vontade de mudar. Além disso, quanto antes procurada a ajuda, mais provável é o sucesso no tratamento. Uma pessoa que quer mudar nunca deve receber críticas em relação a sua situação, deve receber muito amor, carinho e principalmente orientação espiritual.
Para sabermos mais a respeito deste assunto, entrevistamos o 1º Ten. PM Vilmar Duarte Maciel que tem uma experiência de 12 anos no trabalho de “Prevenção” ao uso de drogas e atualmente trabalha com palestras sobre drogas no Programa “Polícia Militar & Comunidade Educando Para a Vida”; também pudemos ouvir as palavras do Coordenador e Fundador da Comunidade Terapêutica “Mãe da Vida” Sr. Ednelson Bueno da Luz, o Presidente da instituição Sr. Benedito Gimenes e o um breve depoimento de Carlos (nome fantasia), um interno da “Mãe da Vida”, e ex-usuário de crack. Confira o que eles nos disseram:


A Gazeta - O crack é uma droga mais forte do que as outras?


Tenente Maciel - Sim, as pessoas que o experimentam sentem uma compulsão (desejo incontrolável) de usá-lo novamente, estabelecendo rapidamente uma dependência física e psicológica. As estatísticas mostram que os principais usuários se encontram entre a faixa de 15 a 25 anos de idade e vêm tanto de bairros pobres da periferia como de ricas mansões de bairros nobres. E um alerta, como o crack é uma das drogas de mais altos poderes viciantes, a pessoa, só de experimentar, pode tornar-se um viciado.


A Gazeta - Por que se tornou a droga mais consumida?


Tenente Maciel - Por que é barata, acessível, fácil de transportar e de efeito imediato. Estas são essencialmente as razões que fizeram do crack a droga mais consumida hoje. O crack é a “bola da vez”, quanto mais impura, mais barata é a droga.


A Gazeta - Quais fatores sociais levam uma pessoa à dependência de droga?


Tenente Maciel - Não usaria o verbo levar, pois, para mim, ele tem um caráter determinista. Usaria o verbo favorecer. Sem dúvida, há situações que favorecem o surgimento do drogado, como miséria, injustiça social, prostituição, desemprego, situação constante de conflito, falta de saúde física e psíquica, depressão - dele ou de familiares -, estado permanente de frustração, negativismo, falta de acesso à escola, etc.


A Gazeta - Qual seria a melhor forma de prevenção?


Tenente Maciel - A melhor forma seria a existência do diálogo dentro da família, que constitui um forte fator de proteção e prevenção. Infelizmente, devido às urgências da vida moderna, os encontros entre os familiares, numa atmosfera de união e aconchego acabam ficando em segundo plano. Há um ditado popular que diz: “É melhor prevenir do que remediar”, o que já ficou provado e comprovado em nossa realidade político-econômica, e seus reflexos no campo da Saúde e da Educação brasileira. Já temos a certeza de que os custos das necessidades de assistência a um adolescente que se tornou viciado são muito maiores de que os gastos que deveriam ser empreendidas para prevenir que ela não se tornasse mais uma pessoa dependente químico.


A Gazeta - O que diria a população em suas considerações finais?


Tenente Maciel - Para finalizar peço a população de Itapeva e região que contem sempre com a Polícia Militar, pois estamos em parceria com a comunidade caminhando por uma sociedade mais segura. A população pode sempre contar com a Polícia Militar do Estado de São Paulo a qualquer hora para bem servir o cidadão pelos telefones 190 emergência da Polícia Militar o 193 do Corpo de Bombeiros da Policia Militar de São Paulo e o 181 disque denúncia de forma anônima.


A Gazeta - Qual é o efeito do crack no organismo da pessoa?


Ednelson- Cada organismo reage de uma forma, o primeiro efeito seria a perda do sentido daquilo que está fazendo, passar a viver em uma realidade que não existe, ver coisas que não são reais, ter esquecimentos, fazer coisas absurdas, que logo após não vem a se lembrar, sendo tudo momentâneo, logo voltando a sua consciência, mas de acordo com o tempo de uso o usuário pode começar a apresentar transtornos mentais, crises convulsivas, desmaios, entre outros danos a saúde. O final da vida de um adicto, seriam três: Hospital, cadeia ou cemitério.


A Gazeta - Quais as chances de uma pessoa que experimentou o crack voltar a usá-lo novamente?


Ednelson- A chance de abandonar o vício sozinho, sem acompanhamento médico ou psicológico, seria de 0%, ele só conseguirá a partir do momento que tiver um tratamento como na Instituição Mãe da Vida com internação de livre e espontânea vontade e com o convívio social. A família é o alicerce tendo que se responsabilizar com um acompanhamento psicológico e em grupos de apoio, para saber como lidar com o doente. Em 1977 a Organização Mundial da Saúde – OMS, considerou a dependência química como doença, devendo então ser tratados todos os casos doentes.


A Gazeta - Como é feito o tratamento desses dependentes na Mãe da Vida?


Sr Gimenes - A instituição tem uma gama de internos, que são homens, mulheres, menores, maiores e até idosos. Chegando aqui cuidamos dessa pessoa por 24h, quando completam 6 meses, podem ir pra casa e permanecer por uma semana, após 9 meses retorna para a sociedade e devagar vai se adaptando. O residente fica confinado a uma maneira de vida diferente, nos preocupamos com a reinserção na sociedade de maneira paulatina. Uma das coisas que procuramos fazer seria de dar condições de conseguirem um emprego, aprendendo dentro da instituição a ser pedreiro, pintor, padeiro, marceneiro, cozinheiro, entre outros. Temos a satisfação de dizer que aqui nós conseguimos um dos melhores índices de recuperação do Estado que seria superior a 65% na recuperação dos internos e sendo que este índice normalmente é por volta de 50 e 55%. Apesar de não usarmos medicamentos, nosso tratamento é muito eficaz.


A Gazeta - Quem são as pessoas que podem procurar a instituição?


Ednelson - Todas as pessoas que apresentam um desejo em mudar de vida, de deixar o álcool ou as drogas, sendo de livre e espontânea vontade, porque não ensinamos ninguém a largar da droga, trabalhamos com uma forma dele valorizar e alcançar os objetivos de vida e que sem droga vive mais feliz. A Comunidade Terapêutica Mãe da Vida está completando 10 anos de trabalho, nesse tempo muitas pessoas passaram por aqui e conseguiram se recuperar, tornando-se pais de família, outros foram para a universidade, se formaram em direito, em enfermagem, uns fazendo psicologia, isso tudo foi possível através da conscientização do grupo de trabalho, dos monitores e uma equipe que vem de fora para trazer um programa de recuperação através da espiritualidade, com leituras bíblicas, momentos de descontração com terapias ocupacionais, assim eles acabam vendo que a vida é muito boa sem o álcool e sem a droga.


A Gazeta - Como foi seu primeiro contato com as drogas e como chegou até o crack?


Carlos - Comecei com 11 anos por embalo dos amigos de escola, no início usei a maconha e com o tempo fui evoluindo até chegar ao crack e uma vez que se usa é difícil sair por ser uma droga muito forte, foi muito difícil para conseguir sair, pois vivia num mundo de ilusão fora da realidade, criávamos nosso próprio mundo. Eu só consegui sair com muita espiritualidade, porque acho que com os medicamentos, troca-se uma droga pela outra, enfim foi aqui que consegui se recuperar com Deus no coração.


A Gazeta- O que você diria aos adolescentes que estão longe do mundo das drogas?


Carlos - Nunca experimentem, porque entrar é muito fácil, o difícil é conseguir sair, nem todos podem ter a chance que eu tive, a ajuda da família, um lugar que te acolha, te trate bem e que te de essa força para parar de usar drogas.


A Gazeta- Como se sente agora longe das drogas?


Carlos - Me sinto bem melhor, agora comecei a viver, porque antes não vivia apenas vegetava. Hoje consigo ver tudo com clareza, trabalhar, ajudar o próximo com a experiência que eu tive e acreditando que os outros não precisem passar.




FONTE: BLOG SOROPOSITIVO.ORG

domingo, 4 de abril de 2010

Cocaína ganha status popular
















Um perigo em forma de pó. Que provoca "barato" ao ser inalado. Tem multiplicada sua potência se aplicado na veia. A cocaína deixou de ser apenas a "estrela" das festas particulares dos mais ricos. Migrou também para as ruas, academias, boates e litorais badalados. Está mais próxima do que se imagina, infiltrada nas redes familiares e de amigos, até entre os mais insuspeitos. No começo da década, a matemática da cocaína começou a ser desenhada no estado: aumentou a oferta da droga, diminuiu o seu custo e mais pessoas passaram a comprar para consumir. Uma equação arriscada, principalmente para quem ainda é muito jovem. Pior ainda quando os pais não possuem informação suficiente sobre o assunto.

No último final de semana, um encontro entre cinco jovens, três deles universitários, para usar cocaína dentro de um motel em Olinda terminou na morte de um deles, Ionara Félix da Silva, 22 anos. A Polícia Civil ainda está investigando o caso e, segundo informações do próprio grupo, os pais não sabiam que eles usavam drogas. "Os pais que têm filhos jovens e não acompanham o que os jovens fazem estão sendo negligentes. Os pais que acreditam que o filho não mente, sem checar, correm o risco de ser enganados", raciocina o psiquiatra Içami Tiba, com 38 anos de experiência na área e com 20 obras publicadas sobre educação e drogas.

Aos 16 anos, Marcela (nome fictício) saiu de casa para morar sozinha. Queria independência financeira, ter direito de sair para onde quisesse. Aos 18, casou e viajou para a Itália. Naquele país, foi até o fundo do poço por causa da cocaína. De volta ao Brasil, após sete anos, foi presa no Litoral Sul do estado portando mais de 100 gramas do pó. Aos 25 anos, aguarda julgamento na Colônia Penal Feminina do Recife. Marcela ainda não saiu do ciclo degradante no qual entrou e sabe bem o quanto a cocaína "se oferece", "conquista". "Na Itália, a droga é usada muito mais abertamente. Mas depois que voltei ao Brasil, fiquei assustada com o que vi no Litoral Sul. O comércio está muito difundido", ressalta.

Apesar de ainda ser comercializada a um preço considerado alto pela maior parte da população, uma grama custa R$ 50, e portanto consumida principalmente entre os que têm melhor poder aquisitivo, a facilidade de acesso à cocaína hoje é maior que nas décadas de 1980 e 1990. "Naquela época, a gente só encontrava pó na casa de amigos ricos. Hoje em dia já tem muita boca vendendo a droga. Tem até gente na rua oferecendo", conta um ex-usuário, que pediu para não ser identificado.

Amanda (nome fictício), 31, chegou a cursar dois períodos de jornalismo em uma universidade particular do Recife. Para ela, o pó chegou junto com os amigos. No início, a droga era presenteada. Depois, a mesada do pai, com quem já não morava desde os 20 anos, viabilizava a compra. "Ele me dava estrutura financeira e claro que isso me ajudou", confessa, lembrando do pai, um militar do exército já morto e considerado por ela superprotetor. "Me afundei nas drogas depois que ele morreu", lamenta.

Aumento da oferta - Números do Departamento de Repressão ao Narcotráfico apontam que a apreensão de cocaína, pasta base de cocaína e crack vem aumentando em Pernambuco. Em 2007, foram 8 quilos; em 2008, 16 quilos e em 2009, 64 quilos. Este ano, o número já chegou a 31 quilos até agora. O crescimento, segundo o delegado Luís Andrey, tem relação com o fortalecimento do trabalho de repressão da Polícia Civil e com o aumento da oferta do entorpecente. "As pessoas que usam cocaína estão fomentando a violência no estado provocada pelo tráfico", destaca.

Sinais imediatos do uso da droga

Em doses baixas, diminui a ansiedade e aumenta a euforia, hiperatividade, desinibição, autoestima e estimulação sexual

Com o aumento do uso, pode surgir disforia (pertubação da euforia), diminuição do juízo crítico, ideias de grandeza, impulsividade, hipersexualidade, excitação psicomotora, anorexia, diminuição da necessidade de dormir, ataques de pânico e quadros psicóticos maníacos

Após quinze minutos do uso, pode surgir diarreia, cãibras abdominais e vômitos sem nâuseas

Após vários dias seguidos usando a droga, a pessoa apresenta movimentos descoordenados, ranger dos dentes e da mandíbula (bruxismo), insônia, perda do impulso sexual, perda dos cuidados pessoais, ideias delirantes de perseguição, alucinações visuais e auditivas, além de convulsões, arritmia cardíaca, parada respiratória e pode chegar à morte

Sintomas do uso crônico de cocaína

Congestão nasal (como rinite), necrose e perfuração do septo nasal, hipertensão arterial, taquicardia, infarto agudo do miocárdio (coração), aneurismas, hemorragias intracranianas, atrofia cerebral, hemorragias cerebrais e crises convulsivas

Impotência no homem, alterações do ciclo menstrual, infertilidade e dificuldades orgásmicas na mulher

Fonte: Juventude e drogas: anjos caídos (Içami Tiba)
Fonte:Diário de Pernambuco/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

Brasil prepara novo plano para tratamento de dependente de drogas























O governo brasileiro deve finalizar em alguns meses um plano de ações voltadas para um tratamento mais específico de dependentes de drogas, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), disse o representante do Unodc para o Brasil e o Cone Sul, Bo Mathiasen.

Ele comentou, em entrevista à Agência Brasil, detalhes de uma reunião com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, realizada na última quarta-feira (24). Segundo Mathiasen, o Unodc e a OMS propuseram ao Brasil uma parceria na difusão de um programa global de atendimento e acompanhamento de dependentes de álcool e outras drogas.

O representante do Unodc revelou que a estratégia é fortalecer o sistema de tratamento de dependentes considerados problemáticos – pessoas que já apresentam um perfil crônico de dependência da droga. No Brasil, o foco serão os centros de Atendimento Psicossociais (Caps), além da capacitação e o treinamento de profissionais de saúde. Há ainda a possibilidade de uma cooperação internacional, com objetivo de levar o trabalho brasileiro para outros países.

De acordo com Mathiesen, Temporão manifestou preocupação com a falta de ações na área de consumo de cocaína e derivados – em especial, o crack. Funcionários do ministério, do Unodc e da OMS já traçaram um esboço do plano de ações. O documento deve ser apresentado oficialmente ao ministro na próxima semana.

“Sendo prioridade, é uma questão de poucos meses [para que o plano fique pronto]”, disse Mathiesen. “O foco são as políticas de tratamento do dependente químico problemático que deveriam ser muito mais voltadas para a saúde da pessoa e os direitos humanos. Uma ótica de acolher e ajudar e não de punir”, completou.

De acordo com o Unodc, o perfil da maioria dos usuários problemáticos de drogas incluiu pessoas que já sofreram abandono, violência doméstica, abuso sexual e exclusão familiar. As drogas, segundo Mathiesen, surgem nesse cenário como uma forma de recompor tais frustrações. “O mundo já reconhece que as pessoas [viciadas em drogas] não deveriam receber nenhum tipo de punição, mas acolhimento e tratamento”, afirmou.
Fonte:O Dia/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

Anvisa restringe venda de emagrecedor


















Nova regra torna mais difícil a comercialização, porque a receita, azul, é de controle especial; medicamento foi associado a risco cardíaco.A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) endureceu as regras para prescrição e venda de drogas para emagrecer que contêm sibutramina. A partir de hoje, elas deixam de ser vendidas com receita branca (de controle simples) e passam a ser vendidas com receita azul (de controle especial).

Assim, a sibutramina deixa de constar da lista de medicamentos de controle comum (que inclui cerca de 200 substâncias) e passa a ser classificada como droga anorexígena (que atua no sistema nervoso central), junto com outras três: dietilpropiona (anfepramona), femproporex e mazindol.

Alguns remédios que contêm sibutramina são Reductil, Plenty, Saciette, Biomag, Vazy, Slenfig, Sibutran e Sigran. A sibutramina é uma das drogas para emagrecer mais vendidas do país, principalmente depois que caiu sua patente, em 2007, quando seu consumo aumentou de dez a 20 vezes, segundo o endocrinologista Márcio Mancini, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Síndrome Metabólica.

Segundo a endocrinologista Cláudia Cozer, diretora da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), a sibutramina atua em duas regiões do sistema nervoso: no centro do apetite e no da saciedade.
Ela age diminuindo a recaptação do neurotransmissor responsável pelo apetite e do que promove a sensação de saciedade. "É a única que atua nos dois centros ao mesmo tempo. Além de o paciente ingerir menos alimento, ele terá sensação de saciedade", explica Cozer.

A decisão, publicada hoje no "Diário Oficial da União", foi tomada pouco mais de dois meses depois de a Europa suspender a venda da substância, com base em um estudo que ligou o remédio ao maior risco cardíaco em pessoas propensas.

Outra decisão da agência é que seja ampliado o alerta de segurança sobre o risco de problemas cardíacos na bula.
Não é a primeira vez que um emagrecedor é associado a doenças cardíacas. "Na década de 90, a fenfluramina e a dexfenfluramina foram suspensas mundialmente", diz Mancini.

Receita azul

Com a nova norma, os medicamentos com sibutramina não poderão mais ser vendidos com receita branca -que era impressa pelo médico na gráfica em duas vias, sendo que uma delas era retida na farmácia.

Agora os médicos deverão usar a receita azul, que é entregue pela Vigilância Sanitária e tem numeração controlada.

"Para ter direito ao talonário azul, o médico assina um termo de responsabilidade, o que evita a venda abusiva", diz Elmo Santana, coordenador de produtos controlados da Anvisa.
Para Mancini, a decisão foi acertada. "Não havia motivos para proibir o uso da sibutramina, pois ela é uma droga bem tolerada. Agora, com a restrição, talvez ela passe a ser indicada apenas por especialistas."

O cardiologista Maurício Scavanacca, médico-assistente da Unidade Clínica de Arritmias do InCor, também considerou a decisão positiva. Ele disse que, quando bem prescrita, a sibutramina é eficiente.

"Ela é eficaz no controle da síndrome metabólica. Se o paciente for selecionado cuidadosamente, se houver uma boa análise clínica e se os riscos forem menores que o benefícios, ela pode ser útil", diz.
Fonte:Folha de São Paulo/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

Pileque precoce


















Jovens não querem deixar de ser jovens; adultos e idosos insistem em imitar os jovens. O principal fator de afirmação é a glamourização do corpo.

O jovem atual, na falta de motivação religiosa, experiência espiritual e ideologia altruísta, tende a buscar na bebida e na droga a alteração de seu estado de consciência. Sem isso não se sente suficientemente relaxado, divertido, ousado. No Brasil, a ingestão de bebidas alcoólicas é legalmente proibida a menores de 18 anos.

A fiscalização pouco funciona e o Estado permite a publicidade de cerveja a qualquer hora em rádio e TV - concessões públicas - e o estímulo ao consumo precoce. Inclusive a utilização publicitária de pessoas famosas das áreas de entretenimento, artes e esportes, para suscitar em crianças e jovens reações miméticas de consumo de álcool.

Dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas informam que 42% das crianças brasileiras com idade entre 10 e 12 anos já consumiram bebida alcoólica, e 10% dos jovens de 12 a 17 anos podem ser classificados como dependentes de álcool.

Adolescentes acreditam que um copo de chope não implica risco para a saúde. Talvez. O problema é que, ao se enturmar num bar, ele bebe oito ou dez. Ou apela para o mais barato, no duplo sentido da palavra - custo e efeito: uma garrafa de cachaça ou vodca custa menos que uma rodada de chope e provoca rápido "um barato"...

O Ministério da Saúde já calculou quanto o alcoolismo custa aos cofres públicos? Quanto gasta o INSS com os afastados do trabalho por dependência do álcool? De que adiantam as campanhas de prevenção se atletas de renome fazem propaganda de bebida alcoólica?

A publicidade de bebida destilada - cachaça, uísque, vodca - obedece à restrição de horários, regulados pela lei 9.294/1996. Entre 6h e 21h é vetada a publicidade de destilados, embora muitas rádios burlem a proibição. A cerveja, que responde por 70% de todo álcool ingerido no Brasil, é livre de regulamentação. E é por ela que muitos jovens ingressam na dependência química.

Pela lei 9.294, bebida alcoólica é a que possui mais de 13 graus na escala Gay-Lussac. Todas as demais leis do Brasil - de trânsito, fabricação etc - consideram alcoólica toda bebida com mais de 0,5º GL. Verifique com lupa o rótulo de uma cerveja dita "sem álcool".

Com exceção de uma marca, as demais possuem 0,5º GL, ou seja, fazem, com respaldo da lei, propaganda enganosa. Assim, pais desavisados deixam crianças ingerirem a cerveja "sem álcool" e alcoólatras em tratamento são vítimas do mesmo engodo.

Vêm aí a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Se permanecer liberado o direito de associar desportistas com bebidas alcoólicas a Lei Seca, com certeza, vai fazer água...

O argumento de que regular a publicidade é censura ou fere a liberdade de expressão é mero terrorismo consumista centrado em sobrepor interesses privados ao interesse público, como é o caso da proteção da saúde da população, em especial de nossas crianças e adolescentes.
*FREI BETTO é escritor.
Fonte:O Globo Online/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

Quais os riscos do lança-perfume?



O lança-perfume é uma mistura de eter, clorofórmio, cloreto de etila (cloretila) e essência perfumada, embalada de forma líquida e pressurizada. Seu uso era praticamente restrito ao Carnaval, durante o qual as pessoas brincavam de esguichá-lo nos outros, provocando uma sensação de "geladinho".

Com o tempo, passou-se a utilizar o lança-perfume para inalar, geralmente embebido em um lenço, aspirando-o pela boca ou pelo nariz para obter uma certa euforia, excitação ou alucinação.
O efeito esperado de euforia, no entanto, geralmente dá lugar a uma fase de depressão do cérebro, na qual a pessoa passa a ficar desorientada, confusa e pode perder o autocontrole e os reflexos e entrar em processos alucinatórios. Os riscos nesse período referem-se à possibilidade da pessoa adotar comportamentos arriscados e indesejados e, sobretudo, à evolução para a perda de consciência, queda de pressão, surtos de convulsão, podendo levar à entrada em coma e à morte.

Embora os efeitos do uso de uma substância psicotrópica, como o lança-perfume, dependam sempre da sensibilidade da pessoa, da dose consumida, e da circunstância em que o faz, os inalantes e os solventes, quando aspirados, apresentam, mesmo num uso eventual, um sério risco de provocar uma parada cardíaca, pois atuam diretamente no cérebro e sobrecarregam o coração.
O uso crônico de solventes e inalantes pode levar à destruição de neurônios causando lesões irreversíveis no cérebro. Além disso, a aspiração repetida pode levar as pessoas a apresentarem-se apáticas, com dificuldade de concentração e com déficit de memória.

Devido ao uso abusivo do lança-perfume e aos efeitos bastante arriscados que provoca, ele foi proibido no Brasil a partir da década de 60. Hoje sua produção, comercialização e consumo são ilegais. Este fator acarreta um risco a mais, pois com a falta de controle, o produto pode conter substâncias desconhecidas e causar maiores danos à saúde do usuário.
Fonte:Site Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas)/Programa Álcool e Drogas (PAD) do Hospital Israelita Albert Einstein

“Não existe droga segura. Nem a maconha”














Entrevista com a Psiquiatra Mexicana Nora Volkow


A neurocientista e psiquiatra mexicana Nora Volkow, 53, foi a primeira mulher a assumir a direção do Nida (Instituto Nacional dos EUA para o Abuso de Drogas), em 2003. Eleita pela revista "Time" uma das cem pessoas mais influentes do mundo, foi pioneira no uso da tomografia para investigar o efeito das drogas.
Neurocientista e psiquiatra Nora Volkow, primeira mulher a dirigir o Nida e pioneira no uso de tomografia para estudar vício em droga.

“Há quem veja a maconha
como uma droga inofensiva.
Trata-se de um erro.
Comprovadamente, ela tem
efeitos bastante danosos”



A psiquiatra mexicana Nora Volkow, 54 anos, é uma das mais importantes pesquisadoras sobre drogas no mundo. Quando, porém, o assunto são os danos neurobiológicos que essas substâncias causam, Volkow pode ser considerada a número 1. Foi a psiquiatra quem primeiro usou a tomografia para comprovar as consequências do uso de drogas no cérebro e foi também ela quem, nos anos 80, mostrou que, ao contrário do que se pensava até então, a cocaína é, sim, capaz de viciar. Desde 2003 na direção do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, nos Estados Unidos, Volkow esteve no Brasil na semana passada para uma palestra na Universidade Federal de São Paulo. Dias antes de chegar, falou a VEJA, por telefone, de seu escritório em Rockville, próximo a Washington.

Há quinze dias, um cartunista brasileiro e seu filho foram mortos por um jovem com sintomas de esquizofrenia e que usava constantemente maconha e dimetiltriptamina (DMT), na forma de um chá conhecido como Santo Daime. Que efeitos essas drogas têm sobre um cérebro esquizofrênico?

Portadores de esquizofrenia têm propensão à paranoia, e tanto a maconha quanto a DMT (presente no chá do Santo Daime) agravam esse sintoma, além de aumentar a profundidade e a frequência das alucinações. Drogas que produzem psicoses por si próprias, como metanfetamina, maconha e LSD, podem piorar a doença mental de uma forma abrupta e veloz.

Que efeitos essas drogas produzem em um cérebro saudável?
Em alguém que não tenha esquizofrenia, os efeitos relacionados com a ansiedade e com a paranoia serão, provavelmente, mais moderados. Não é incomum, porém, que pessoas saudáveis, mas com suscetibilidade maior a tais substâncias, possam vir a desenvolver psicoses.

Estudos conduzidos pela senhora nos anos 80 provaram que a cocaína tinha, sim, a capacidade de viciar o usuário e de causar danos permanentes ao cérebro. Até então, ela era considerada uma droga relativamente "segura". Existe alguma droga que seja segura no que diz respeito à capacidade de viciar e de causar danos à saúde?


Não existe droga segura, a não ser a cafeína. Como ela é estimulante e produz efeitos farmacológicos nos receptores de adenosina, é, sim, uma droga. Mas não há evidências de que vicie nem de que seja tóxica - a não ser que você tenha problemas cardiovasculares. Ainda não sabemos se é prejudicial a crianças e adolescentes, mas para adultos não há nenhum problema.

E a maconha?

Há quem veja a maconha como uma droga inofensiva. Trata-se de um erro. Comprovadamente, a maconha tem efeitos bastante danosos. Ela pode bloquear receptores neurais muito importantes. Estudos feitos em animais mostraram que, expostos ao componente ativo da maconha, o tetraidrocanabinol (THC), eles deixam de produzir seus próprios canabinoides naturais (associados ao controle do apetite, memória e humor). Isso causa desde aumento da ansiedade até perda de memória e depressão. Claro que há pessoas que fumam maconha diariamente por toda a vida sem que sofram consequências negativas, assim como há quem fume cigarros até os 100 anos de idade e não desenvolva câncer de pulmão. Mas até agora não temos como saber quem é tolerante à droga e quem não é. Então, a maconha é, sim, perigosa.

A senhora concorda que ela seja a porta de entrada para outras drogas?
Se você olhar os dados, verá que a maior parte dos usuários de cocaína começou com a maconha. Mas, ao olharmos os dados de quem fuma maconha, veremos que essas pessoas geralmente começaram com cigarros ou álcool. Qual seria a verdadeira droga de entrada, então? Uma das leituras sobre essa questão é que, durante a adolescência, as pessoas bebem e fumam cigarros porque esses produtos estão disponíveis e são legais e, quando crescem, elas se tornam propensas a usar drogas mais pesadas. Uma leitura alternativa é que a exposição à nicotina e ao álcool na juventude faz com que as pessoas fiquem mais vulneráveis aos efeitos de outras drogas. Para mim, essa é a hipótese correta. A exposição precoce às drogas muda a sensibilidade do sistema de recompensa do cérebro. Como esse sistema se torna menos sensível, os dependentes químicos buscam uma compensação nas drogas.

Por que em geral as pessoas começam a usar drogas na adolescência?


O cérebro do adolescente é muito menos conectado do que o de um adulto. Como resultado, os adolescentes não conseguem controlar e regular a intensidade de suas emoções e desejos da mesma forma que os mais velhos. Isso faz com que vivam de maneira mais vigorosa, mas, ao mesmo tempo, assumam riscos maiores, como experimentar drogas.

O uso de drogas na adolescência é mais perigoso do que na vida adulta?


Certamente, porque o cérebro de um adolescente é mais plástico e mais sensível aos estímulos externos que vão moldá-lo. A forma que seu cérebro vai tomar na idade adulta depende muito dos estímulos que você recebeu quando criança e adolescente. O risco de desenvolver o vício também é maior para o adolescente. O motivo é o mesmo: a plasticidade cerebral nessa fase, que faz com que o jovem apreenda informações muito mais facilmente do que o adulto.

Por que é tão difícil quebrar o ciclo de desejo, compulsão e perda de controle que o vício traz?

É difícil porque o cérebro, em consequência do uso de drogas, é modificado de maneira física. A dependência química é uma doença cerebral que muda a bioquímica, a função e a anatomia do cérebro. Ocorre da seguinte maneira: todas as drogas aumentam a concentração de dopamina no cérebro. Quando o sistema dopaminérgico é ativado vez após outra pelo consumo repetido dessas substâncias, ele sofre modificações, de forma que passa a não funcionar mais quando a pessoa não está sob efeito da droga. Com isso, o usuário procura usar mais drogas - para tentar compensar esse déficit.

O que faz alguém se viciar em uma droga?

Isso pode variar de pessoa para pessoa e de acordo com o tipo de droga. Mas, de modo geral, é preciso que a pessoa seja exposta à substância repetidamente. Mesmo nessas condições, nem todos os usuários se viciam. Porém cerca de 10% deles desenvolvem o vício depois de pouco tempo de uso. Nos casos em que isso ocorre, o usuário tem uma vulnerabilidade que pode ser de ordem biológica ou social. Isso significa que ele pode ter uma predisposição genética para o vício ou estar sob algum tipo de stress que ajudou a disparar o gatilho da adição. Os traumas mais potentes ocorrem na infância: abandono, repetidas negligências, abusos físicos, sexuais, convivência com pais presos ou portadores de doenças mentais. Mas é claro que nada disso resulta em vício se a pessoa não tiver acesso às drogas.

É possível curar o vício?

Nós não podemos curá-lo atualmente, apenas tratá-lo. Quando você tem uma infecção bacteriana, toma um antibiótico e está curado. Agora, se você tem asma ou diabetes, tem de tomar algum tipo de medicamento ao longo de sua vida. É um tratamento para sua condição, não uma cura. Hoje, existem apenas tratamentos para o vício, que combinam medicamentos e terapias comportamentais. Estamos desenvolvendo uma vacina contra o vício de cocaína e nicotina, mas são apenas pesquisas ainda.

É possível, depois de se reabilitar, voltar a usar drogas sem se viciar?

Há casos já identificados. Por muito tempo se disse, principalmente sobre o alcoolismo, que, se você é alcoólatra, nunca, mas nunca mesmo, poderá chegar perto de novo da droga. Em pesquisas, há evidências de que alguns alcoólatras conseguem voltar a beber um ou dois copos de vez em quando sem se viciar, mas eles são a minoria. O problema é que não sabemos quem será capaz de se ater a apenas alguns drinques e quem vai se viciar de novo, por isso recomendamos clinicamente que todos fiquem afastados da droga.

Está em curso no Brasil uma campanha para descriminalizar a maconha. A senhora concorda com isso?

Não concordo porque, ao descriminalizar a maconha, você estará contribuindo para que mais gente a consuma. Há quem não fume por medo da repercussão negativa que a atitude pode provocar - e descriminalizá-la significa dizer: "Se você fumar, está tudo bem".

Um grupo de pesquisadores brasileiros está discutindo a possibilidade de permitir o uso medicinal da maconha. Quais são os benefícios já comprovados da droga?

As pesquisas mostram que os canabinoides, inclusive o THC, têm algumas ações terapêuticas úteis. Por exemplo, diminuem a resposta à náusea, o que é muito útil para pacientes com câncer que estão enfrentando uma quimioterapia. Outra vantagem comprovada é que eles aumentam o apetite e podem ajudar a combater a anorexia que acomete pacientes com doenças como a aids, por exemplo. Além disso, podem ter benefícios analgésicos e diminuir a pressão interna do olho, o que pode evitar um glaucoma. O que nosso instituto apregoa é que você pode ter o benefício dos canabinoides sem os efeitos colaterais que resultam do fumo da maconha, como a perda de memória, por exemplo. Por isso, estamos encorajando o desenvolvimento de medicamentos que maximizem as propriedades terapêuticas da droga sem seus efeitos danosos. No mercado americano, já existem algumas pílulas, como a Marinol, que permitem isso.

Em suas pesquisas a senhora descobriu que o córtex orbitofrontal, a principal área do cérebro afetada por quem tem transtorno obsessivo-compulsivo, também está ligado ao vício. É essa a chave da compulsão pelas drogas?

Eu concluí que a pessoa viciada em drogas desenvolve uma obsessão e uma compulsão pela droga similares às daquela que tem transtorno obsessivo-compulsivo. O que o vício e o TOC têm em comum é que ambas as doenças afetam as mesmas áreas do cérebro, aquelas relacionadas aos hábitos e aos controles. Mas, embora o local afetado seja o mesmo e a apresentação dos sintomas se dê de forma parecida, os mecanismos que levam a essas anormalidades não são.

A senhora também estudou a função da dopamina em quem come compulsivamente. Que relações se podem fazer entre a obesidade e o vício em drogas?

Ambos resultam em uma busca compulsiva por uma recompensa: no caso da obesidade é a comida e no caso da adição é a droga. Nos dois, há a perda de controle. Quem é patologicamente obeso come mesmo quando não quer. Podemos dizer que algumas pessoas parecem ser viciadas em comida, embora até o momento isso não tenha sido aceito nas comunidades clínica e científica.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse recentemente que o povo americano tem uma demanda insaciável por drogas. A senhora acredita que essa demanda é mesmo mais intensa nos EUA do que em outros países?

O prazer oriundo das drogas é uma comodidade que você compra, como um luxo. Então há, sem dúvida, um elemento econômico nessa discussão. Também existem elementos relacionados à estrutura social e às normas. Os americanos são mais tolerantes em relação a comportamentos diferentes do que muitos outros povos. Isso resulta também em maior aceitação do uso de drogas.

A senhora nunca sentiu vontade de experimentar alguma droga?

Bebo de vez em quando um copo de vinho e experimentei cigarros quando era adolescente. Nunca usei cocaína, maconha nem outro tipo de droga ilícita. Amo meu cérebro e nunca pensei em estragá-lo.
Autor:Revista Veja
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Vício




















A palavra "vício" costuma ser aplicada só para os casos de dependência de drogas, mas o que se caracteriza por esse desejo obsessivo, tolerância e síndrome de abstinência também se aplica para comportamentos compulsivos. Em todos os casos é ativado o sistema de recompensa do cérebro e, em geral a quantidade de dopamina (neurotransmissor ligado ao prazer) aumenta no núcleo acumbente (NAc), que é o centro do sistema. Como resultado a dopamina circulante pode chegar a ser dez vezes maior que a produzida por prazeres cotidianos, levando a um verdadeiro êxtase.
Diante de tamanha ativação, o sistema de recompensa reage e diminui a sua sensibilidade. A partir daí, para conseguir o mesmo prazer inicial, o usuário tem de consumir cada vez mais. Veja abaixo como cada droga interfere no circuito de prazer do cérebro:

Opiáceos e Opióides - Ópio, morfina e heroína ativam diretamente os receptores das endorfinas (opióides do próprio corpo) no núcleo acumbente. A função delas normalmente é regular o teor final de dopamina no NAc. Com a ação das drogas, a produção de dopamina cresce, o que leva a sensações de euforia e bem-estar.

Ecstasy - É uma anfetamina modificada, mas não age como uma (liberando dopamina direto no NAc), e sim como a cocaína, impedindo a reabsorção da dopamina. Essa ação é tão duradoura que o prazer pode se prolongar por horas. A droga age também em vários outros lugares do sistema límbico, inclusive o hipotálamo, que regula funções vitais. É esse comportamento que pode desencadear problemas com hipertermia e desidratação que podem levar à morte.

Cocaína e Crack - Impede a reabsorção da dopamina liberada no núcleo acumbente em uma situação de prazer. A droga bloqueia o processo de reciclagem da dopamina pelos neurônios aumentando sua duração e seus efeitos nas sinapses, o que leva à sensação de euforia característica da droga. O uso continuado danifica os neurônios e pode levar à redução dos efeitos da dopamina, provocando depressão e agressividade.

Álcool - Seu efeito vem de mais longe: ele age na origem das fibras dopaminérgicas que chegam ao NAc, numa área no meio do cérebro chamada área tegmental ventral (começo do circuito de prazer). O álcool ativa diretamente os neurônios do VTA, que passam a liberar mais dopamina sobre o NAc. O resultado, mais uma vez, é o aumento da concentração de dopamina no NAc. O uso prolongado prejudica a estrutura dos neurônios e afeta a comunicação entre eles.

Sociedade do Vício















Para Dartiu Xavier, essas múltiplas opções também são reflexo de uma sociedade voltada para os vícios. "Tendemos a estimular esses comportamentos, somos consumistas e de certo modo até hedonistas. Tudo é voltado para a obtenção do prazer". Para ele, o comportamento dos pais em exigir dos filhos desempenhos fantásticos em todos os aspectos da vida colabora para uma fuga para as drogas. "Esperamos que nossos filhos sejam muitos inteligentes, bonitos e satisfeitos sexualmente. Essas sensações todas são percebidas por quem usa cocaína. O modelo de mundo que a gente passa para as nossas crianças é o de intoxicação por cocaína. A gente não ensina o mundo de verdade. E depois eles ficam com a auto-estima lá em baixo, frustrados, e a droga aparece como uma saída", dispara.
Assim pensa também o médico sanitarista Fábio Mesquita, pioneiro na criação de programas pela redução de danos aos usuários de drogas. "O consumo de drogas hoje é uma epidemia e está relacionado a uma vulnerabilidade social que faz com que as pessoas se apeguem a todo tipo de coisa. As pessoas são bombardeadas com propaganda de cigarros, de álcool e até mesmo de drogas ilícitas, que não estão na TV, mas que chegam às pessoas. Por isso acredito que hoje seria praticamente impossível, nesse contexto social, uma sociedade sem drogas".
Ele lembra que em 1998, a ONU fez uma assembléia especial sobre drogas, quando foi proposto que até 2008 o mundo ficaria livre desse problema. Nesse ano foi feito o primeiro balanço e se constatou que cresceu o consumo. "Esse tipo de proposta é um delírio, completamente irreal". Mas, se isso é uma condição inerente ao ser humano, como ficam as pessoas totalmente proibidas de usar drogas - como ocorre nas sociedades islâmicas mais radicais?
Para Mesquita, a repressão e a religiosidade "seguram" as pessoas, mas na primeira oportunidade elas buscam outro tipo de prazer. "O Afeganistão. por exemplo, logo que se libertou do regime Taleban voltou a ter uma tremenda produção de ópio para exportação. Outro bom exemplo é a Rússia, onde praticamente não havia consumo de drogas durante o regime comunista e hoje é o país onde mais crescem os casos de Aids por uso de drogas injetáveis".
Na contramão estão os dependentes convertidos pelas religiões evangélicas que oferecem a Bíblia no lugar das drogas. "De certo modo, é como se elas se viciassem em religião", brinca Mesquita. Elas assumem um comprometimento emocional, psicológico de outra natureza, mas também passam a dedicar sua vida 24 horas àquilo, só falam desse assunto e só pensam nele".
Do mesmo modo que ocorre com as drogas.

Maconha e sua dependência psicológica











No caso da maconha, menos de 10% dos usuários ficam dependentes, número que sobe para 60% com a cocaína e para 80% com o crack e a heroína, de acordo com Xavier.
Além disso, o maior problema é a dependência psicológica. "A medicina evoluiu tanto que é facílimo tirar alguém de uma dependência física, mas o indivíduo recai por causa da psicológica".
Ele cita um estudo feito na década de 80, na Universidade Harvard, nos EUA, que descreveu pessoas que usavam heroína, uma das drogas que mais causa dependência, sem se viciar. Isso mostra que nem tudo pode ser atribuído à droga. "Ela é um fator necessário para causar dependência, mas não suficiente. É preciso ter a droga e mais um monte de coisas", diz.
As dependências químicas e não-químicas estão tão arraigadas que o tratamento acaba sendo bastante parecido. É nisso que aposta o Proad, que criou, ao lado do ambulatório de drogas e álcool, um local voltado para compulsivos por comida, sexo e jogo. "Uma das hipóteses é de que existe um mecanismo central por trás de tudo, independente de a pessoa ser dependente de jogo, droga, álcool ou sexo. As formas de tratar são as mesmas."
Os médicos e psicólogos perceberam também que muitos usuários tendem a transitar de uma droga para outra, e delas para um comportamento compulsivo. "O indivíduo vai trocando de dependência e mascara o problema dele independente do vício. O efeito é o mesmo. Em todos os casos está por trás a busca do prazer e a perda do controle", constata. Novamente a neurociência confirma: "A explicação é que todos os vícios passam pelo mesmo lugar do cérebro. Cada um escolhe, digamos, a sua droga de preferência, mas na falta dela, qualquer outra serve para ativar o sistema de recompensa", diz Suzana Herculano-Houzel. "Por isso, até os tratamentos pensam nesse todo. A recomendação dos Alcoólicos Anônimos e dos Narcóticos Anônimos é abstinência total, é a pessoa reconhecer que o vício se aplica a tudo".

Tudo pela recompensa








É o prazer que explica por que é possível ficar dependente de coisas tão diferentes como drogas, chocolate, café, jogo, sexo ou compras. Análises de mapeamento mostram que há uma região no cérebro, conhecida como sistema de recompensa, que é ativada por substâncias presentes tanto nas drogas quanto no nosso próprio corpo (hormônios e neurotransmissores) e que são liberadas quando passamos por estresse, excitação, alegria etc.
"Tudo o que é bom a gente quer repetir. Isso porque o cérebro se lembra que gostou e pede mais", explica a neurocientista Suzana Herculano Houzel, autora do livro "Sexo, Drogas, Rock´n´roll e Chocolate - O cérebro e os prazeres da vida cotidiana". Esse comportamento do cérebro é que nos faz ter motivação para tocar a vida.
O que intriga é por qual razão uma boa parcela dos usuários se contenta com o consumo recreativo de drogas e a prática saudável de sexo, por exemplo, enquanto outros tantos caem na dependência. A explicação da neurociência é que, diante de certos comportamentos ou consumo excessivo de uma substância, o sistema de recompensa é ativado ao extremo e, por proteção, acaba se dessenbilizando. Fazendo uma comparação bem simples, é o mesmo que ocorre com o elástico esticado além do limite e que não volta mais ao normal.
"Na próxima vez, aquele mesmo comportamento vai resultar em uma ativação menor do sistema de recompensa, em um prazer menor, e, para conseguir o mesmo grau de prazer que se conseguia antes, vai ser preciso mais daquilo. Jogar mais, fazer mais sexo, usar mais droga, comer mais chocolate", diz Suzana.
O problema é que essa dessensibilização do sistema de recompensa gera uma espécie de déficit de satisfação. Imagine que, no estado natural, todos temos um nível médio de ativação do sistema de recompensa. Entre os dependentes, o nível fica abaixo do normal. "É por isso que a vida da pessoa passa a orbitar ao redor do vício, que vira idéia fixa. Tudo o que a pessoa faz está centrado em como conseguir mais daquela coisa", explica a neurocientista. "E não faz diferença se é uma dependência química ou não-química. Todas passam pelo excesso de ativação e dessenbilização do sistema de recompensa."
Mas o que leva algumas pessoas à perda do controle independe de critérios simples, como a quantidade de droga ingerida. Para Xavier, um dos motivos pode ser a existência de problemas psíquicos e emocionais na vida do usuário. Em sua tese de doutorado, ele avaliou dependentes de álcool e de cocaína e descobriu que 80% apresentavam algum distúrbio nessa linha, sendo que 44% tinham depressão - a maioria adquirida antes do consumo de drogas. "É como se a droga servisse de alívio para os sintomas depressivos. Está aí a entrada para a dependência química", afirma. Segundo o pesquisador, problemas na família são outro fator de risco para a dependência. "Teoricamente não é possível que uma pessoa sem problemas acabe se viciando", diz. Claro que é preciso levar em conta qual droga está sendo consumida.

Do prazer à dor


As drogas ilegais não são as únicas substâncias a provocar dependência; existem também os loucos por sexo, chocolate, jogos e mesmo por compras

Quem nunca se divertiu ao consumir álcool ou tentou esquecer algum problema tomando um porre que atire a primeira pedra. Se não foi com álcool, pode ter sido com o cigarro, com drogas ilícitas e até mesmo com chocolate e café. Ou ainda, numa fúria consumista, no shopping ou em um sexo bem feito. O fato é: a busca pelo prazer nos move, tendemos a repetir ações agradáveis e às vezes é nesse prazer que encontramos uma forma de fugir das dificuldades. O problema é quando o "gostar muito" se transforma em dependência, e o prazer se transforma em dor.
Não são apenas os consumidores de drogas ilícitas (cocaína, heroína, maconha...) ou lícitas (cigarro e álcool) que estão sujeitos a isso. Sexo, jogo, compras e comida também podem ser alvo de compulsão e os seus dependentes apresentam os mesmos sintomas de quem se vicia em substâncias químicas. Os especialistas são categóricos ao dizer que não existe sociedade sem drogas - isso se estende, para todo tipo de substância psicoativa, ou seja, que afete o funcionamento do cérebro (o que inclui também a cafeína, presente no café, na Coca-Cola e no chocolate). Mas é possível ir além: talvez não exista sociedade sem vícios - sejam eles por drogas ou por comportamentos.
Faz parte da história da humanidade buscar substâncias psicotrópicas. Acredita-se que o consumo de ópio, álcool e Cannabis já ocorria de 3.000 a 4.000 anos antes de Cristo.
"O fenômeno de dependência de drogas é algo que se prende à condição humana com diversas finalidades, desde a de apaziguar as dores, as angústias, as tristezas, até o de elevar aos deuses", escrevem os psiquiatras Antônio Pacheco Palha e João Romildo Bueno no prefácio do livro "Dependência de Drogas", que compila textos de 54 especialistas no assunto. "Assim sendo", continuam eles, "é natural que, enquanto houver dor, angústia, frustração, abatimento e dúvidas o homem irá continuar o uso de drogas ".
Mas não é só a busca de um alívio que leva a esse consumo. "Existem dois tipos de vício: um que serve para alterar a percepção de uma realidade intolerável e outro que passa só pela questão do prazer", afirma o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Saiba como Agir nas Emergências






















Aprenda a conhecer os sintomas de overdose (intoxicação aguda) e saiba o que fazer quando uma pessoa exagerou no uso de drogas e pode estar precisando da sua ajuda:

Conheça os sintomas:
- Perda da consciência, coma ou sono repentino e/ou profundo
- Respiração lenta ou curta ou parada da respiração
- Sem pulso ou pulso fraco
- Lábios roxos
- Convulsões, movimentos involuntários, desmaios
- Palpitação, taquicardia, dor no peito

Saiba o que fazer:
- Chame o resgate ou ajuda médica para emergências, imediatamente.
- Nunca deixe a pessoa sozinha.
- Deite a pessoa de lado, tenha certeza de não haver comida ou vômito na garganta.
- Afaste o queixo do peito.
- Nunca dê outra droga para combater o efeito.
- Nunca ponha nada na boca da pessoa, incluindo água ou medicamentos.
- Se a pessoa estiver tendo uma convulsão segure a sua cabeça com cuidado para não bater no chão ou em algum móvel

Atenção: A mistura de qualquer droga com álcool ou outras drogas aumenta o risco de overdose, ferimentos, violência, abuso sexual e morte.

Requisitos Básicos da Dependência















1 - forte desejo ou compulsão para consumir a substância;
2 - dificuldade no controle de consumir a substância em termos do seu início, término ou níveis de consumo;
3 - estado de abstinência fisiológica quando o uso cessou ou foi reduzido (sintomas de abstinência ou uso da substância para aliviá-los);
4 - evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas;
5 - abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa, aumento do tempo necessário para obter ou tomar a substância psicoativa ou para se recuperar dos seus efeitos;
6 - persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de consequências manifestamente nocivas, tais como dano ao fígado por excesso de álcool, depressão consequênte a período de consumo excessivo da substância ou comprometimento cognitivo relacionado à droga.

Dependência Psicológica





















Em estado de dependência psicológica, o indivíduo sente um impulso irrefreável, tem que fazer uso das drogas a fim de evitar o mal-estar. A dependência psicológica indica a existência de alterações psíquicas que favorece a aquisição do hábito. O hábito é um dos aspectos importantes a ser considerado na toxicomania, pois a dependência psíquica e a tolerância significam que a dose deverá ser ainda aumentada para se obter os efeitos desejados. A tolerância é o fenômeno responsável pela necessidade sempre presente que o viciado sente em aumentar o uso da droga.
Em estado de dependência psíquica, o desejo de tomar outra dose ou de se aplicar, transforma-se em necessidade, que se não satisfeita leva o indivíduo a um profundo estado de angústia, (estado depressivo). Esse fenômeno não deverá ser atribuído apenas as drogas que causam dependência psicológica. O estado de angústia, por falta ou privação da droga é comum em quase todos os dependentes e viciados.

Dependência Física





Consiste na necessidade sempre presente, a nível fisiológico, o que torna impossível a suspensão brusca das drogas. Essa suspensão acarretaria a chamada crise da "abstinência". A dependência física é o resultado da adaptação do organismo,independente da vontade do indivíduo. A dependência física e a tolerância podem manifestarem-se isoladamente ou associadas, somando-se à dependência psicológica. A suspensão da droga provoca múltiplas alterações somáticas, causando a dramática situação do "delirium tremens".
Isto significa que o corpo não suporta a síndrome da abstinência entrando em estado de pânico. Sob os efeitos físicos da droga, o organismo não tem um bom desenvolvimento.

Caminhos disponíveis








1. Do medo - Os jovens não se aproximarão das drogas se as temerem. Para se criar o medo, basta mostrar somente o lado negativo das drogas. Pode funcionar para crianças enquanto elas acreditarem no adultos.

2. Das informações científicas - Quanto mais alguém souber sobre as drogas, mais condições terá para decidir usá-las ou não. Uma informação pode ser trocada por outra mais convincente e que atenda aos interesses imediatos da pessoa.

3. Da legalidade - Não se deve usar drogas porque elas são ilegais. Mas e as drogas legais? E todas as substâncias adquiridas livremente que podem ser transformadas em drogas?

4. Do princípio moral - A droga fere os princípios éticos e morais. Esses valores entram em crise exatamente na juventude.

5. Do maior controle da vida dos jovens - Mais vigiados pelos pais e professores, os jovens teriam maiores dificuldades em se aproximar das drogas. Só que isso não é totalmente verdadeiro. Não adianta proteger quem não se defende.

6. Do afeto - Quem recebe muito amor não sente necessidade de drogas. Fica aleijado afetivamente que só recebe amor e não o retribui. Droga é usufruir prazer sem ter de devolver nada.

7. Da auto-estima - Quem tem boa auto-estima não engole qualquer "porcaria". Ocorre que algumas drogas não são consideradas "porcarias", mas "aditivos" para curtir melhor a vida.

8. Do esporte - Quem faz esporte não usa drogas. Não é isso o que a sociedade tem presenciado. Reis do esporte perdem sua majestade devido às drogas.

9. Da união dos vários caminhos - É um caminho composto de vários outros, cada qual com sua própria indicação. Cada jovem escolhe o mais adequado para si. Por enquanto, é o que tem dado os resultados mais satisfatórios.

10. Da Integração relacional - Contribuição para enriquecer o caminho 9. Nesse trajeto, o jovem é uma pessoa integrada consigo mesmo (corpo e psique), com as pessoas com as quais se relaciona (integração social) e com o ecossistema (ambiente), valorizando a disciplina, a gratidão, a religiosidade, a ética e a cidadania.
(Fonte: Anjos Caídos, Içami Tiba. Editora Gente, 6ª edição)

Prevenção contra o uso de drogas






















Muito se tem feito nos últimos tempos para que as pessoas se previnam contra o uso de drogas. Mas também muito se tem feito, legal ou ilegalmente, para que elas sejam usadas. O resultado final é que as pessoas estão consumindo cada vez mais drogas.
Usar drogas, significa em primeira instância, buscar prazer. É muito difícil lutar contra o prazer, porque foi ele que sempre norteou o comportamento dos seres vivos para se autopreservarem e perpetuarem sua espécie. A droga provoca o prazer que engana o organismo, que então passa a querê-lo mais, como se fosse bom. Mas o prazer provocado pela droga não é bom, porque ele mais destrói a vida do que ajuda na sobrevivência. A prevenção tem de mostrar a diferença que há entre o que é gostoso e o que é bom.
Todo usuário e principalmente sua família têm arcado com as consequências decorrentes desse tipo de busca de prazer.
Pela disposição de querer ajudar outras pessoas, parte da sociedade procura caminhos para previnir o maior mal evitável deste final de milênio.

Overdose





















Os traficantes da cadeia intermediária costumam dividir a droga pura mesclando-a com outras substâncias para aumentar o volume, diminuindo o seu grau de pureza. Um viciado que tem o mesmo fornecedor costuma injetar as mesmas quantidades de acordo com o potencial já conhecido; ocorrendo a troca do fornecedor, a nova partida poderá conter um grau de pureza consideravelmente superior ao esperado e para o qual o organismo não estava acostumado, ocorrendo aí a chamada overdose.

Drogas e gestação












O uso de drogas durante a gravidez tem as seguintes implicações tanto para a mãe como para o feto em desenvolvimento:

A saúde da gestante
As mulheres grávidas com transtorno decorrente do uso de droga apresentam risco elevado para doenças sexualmente transmitidas (como infecção pelo HIV), hepatite, anemia, tuberculose, hipertensão e pré-eclâmpsia.

O curso da gestação
As mulheres grávidas com transtorno decorrente do uso de droga (dependendo do tipo) podem apresentar maior risco para abortos espontâneos, pré-eclâmpsia, placenta prévia e trabalho de parto precoce ou prolongado, além de complicações de outras condições clínicas que podem ser relacionadas ao uso de drogas (como hipertensão em dependentes de cocaína).


Desenvolvimento fetal
Algumas drogas, incluindo os opióides, cocaína e álcool, atravessam a placenta e afetam diretamente o feto. Isso pode ocorrer em qualquer estágio do desenvolvimento, mas é particularmente provável durante o terceiro trimestre, quando o fluxo sangüíneo materno fetal e as taxas de transporte placentário estão aumentadas. A placenta pode deslocar antes, um dos vários fatores causadores do número crescente de partos prematuros.
O feto pode apresentar risco mais elevado que a média para defeitos congênitos, problemas cardiovasculares, comprometimento do desenvolvimento e crescimento, prematuridade, peso baixo ao nascimento e óbito.
Após o parto, o neonato pode apresentar abstinência da droga. que pode ser de difícil reconhecimento, particularmente se o pediatra não conhece o diagnóstico da mãe.

Desenvolvimento da criança
Algumas substâncias (como o álcool) são associadas com efeitos negativos a longo prazo sobre o desenvolvimento físico e cognitivo.

Comportamento como pais
Além do tratamento para o transtorno decorrente do uso de drogas, as mães com esse distúrbio necessitam freqüentemente de educação e treinamento para exercer a maternidade, serviços sociais, aconselhamento nutricional, assistência na obtenção de privilégios de saúde e benefícios e outras intervenções que objetivem reduzir a possibilidade de maltratar ou negligenciar a criança.

(Fonte - NeuroPsicoNews - Sociedade Brasileira de Informações de Patologias Médicas 1999 - nº 13)

Quem sou EU?

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Ubatuba, Litoral Norte, Brazil
Sou a Silmara, uma pessoa simples, risonha e de bem com a vida! Sou Coordenadora do Blablablá PositHivo, desenvolvido em parceria com a Prefeitura Municipal de Ubatuba, que tem como objetivo levar informações de DST/Aids em escolas e comunidades através do meu depoimento.Como coordenadora de literatura da Fundart criei o Projeto Psiu com a finalidade de descobrir e apoiar novos autores.Fui escritora sobre o Projeto Furnas, em Ubatuba.Tenho 25 crônicas classificadas em Concursos nacionais,inclusive o conto O Menininho Perdido classificado no concurso de Antologia Ponte dos Sonhos, na Alemanha e o poema Brava Gente de Ubatuba em Guadalaraja.Sou autora da cartilha Ambiente Vivo e do livro Flash, Você sabe o que eu tenho? Eu tenho amores, dores,senhores, sabores...Eu tenho atitude.E VOCÊ? Silmara Retti é madrinha do DTPK crew

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