
“O acesso gratuito aos remédios é uma conquista brasileira, e eu achava um absurdo alguém não aderir a um tratamento tão poderoso. Até que, de repente, caiu na minha mão uma revista SABER VIVER com uma notícia bombástica na capa: "ARVs e a lipodistrofia"”, escreve Silmara Retti, em seu livro de memórias*. A escritora, que já então fazia uso de anti-retrovirais, conta que identificou a imagem da capa com a imagem de seu próprio corpo, que começava a sofrer as transformações da lipodistrofia. Então pensou: “Desculpa, mas parei por aqui. Vou descer do bonde agora!” Desceu: ficou sem tomar nada durante meses...
Na terapia anti-retroviral, sabemos, a adesão tem uma função a mais do que nos casos de outras doenças. Aderindo, o paciente diminui a chance de o HIV tornar-se resistente às drogas disponíveis. Como aconteceu com Silmara, porém, os efeitos colaterais, entre outros fatores, acabam afastando alguns pacientes do tratamento. A clínica geral Sandra Príncipe Passini atende na Policlínica Alberto Bogerth, no Rio de Janeiro. Ela persiste na tentativa de convencimento, mesmo com o paciente que se recusa definitivamente a aderir ao tratamento:
“Ofereço apoio, ao mesmo tempo que me sinto impotente, triste e desconfortável frente à situação, pois meu desejo é revertê-la e não consigo”, revela.
Fonte: Revista Saber Viver

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