Em seu livro de memórias*, Silmara Retti define o profissional de saúde que, na sua opinião, consegue uma boa adesão ao tratamento anti-retroviral: “é aquele que fala a linguagem do paciente, que joga limpo com ele, que é verdadeiro e claro, sem se tornar rude. É aquele que compreende as "dores" do paciente e que, mesmo sem sentir, é solidário a ele, respeitando o momento dele.” Para a escritora, que é soropositiva, "esse profissional não precisa ser o coordenador, o enfermeiro ou o médico. Precisa ser o amigo de todas as horas, disposto a ouvir, orientar e acalentar, muitas vezes sem saber se vai ser compreendido ou correspondido, mas com a convicção de que procurou fazer o seu melhor”, descreve.Nas suas palavras, Silmara alude à adesão do profissional de saúde ao tratamento dos pacientes. O ponto de vista dela, como paciente, dá uma idéia da pressão a que esses profissionais estão sujeitos dia a dia. Além de problemas a curto prazo insolúveis, como um salário insatisfatório, as condições precárias da saúde pública e o fato de a aids não ter cura, há que se lidar com uma demanda de afeto comparável, apenas, à da criança pequena – que tudo pede aos pais ou responsáveis. A Saber Viver Profissional de Saúde perguntou a quatro médicos como eles conseguem aderir ao tratamento de seus pacientes, apesar de tudo isso. As respostas formam um conjunto de boas dicas para o dia-a-dia de todos.

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