
"É preciso ter em vista a importância de adequar a terapia anti-retroviral à realidade das atividades da vida diária do paciente", afirma o infectologista Marco Antônio de Ávila Vitória, assessor técnico da Coordenação Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. "Quando a dificuldade em seguir o tratamento é grande, é preciso avaliar a possibilidade de mudança de esquema com ajustes que garantam ao paciente uma melhor adesão à terapia", diz ele. Mauro Schechter aponta que existem muitas variáveis a serem consideradas para decidir trocar a medicação de um paciente. "O aumento da carga viral é uma delas, mas não só. O CD4 do paciente e a velocidade com que ele aumenta em resposta ao tratamento têm que ser levados em conta. É verdade que quanto mais alto o nível de CD4 maior é a proteção contra doenças, mas não dá para generalizar e dizer qual o nível de CD4 que uma pessoa deve ter para não adoecer. Isso é individual", diz o infectologista.
Outro fator a ser considerado é o estado clínico do paciente. Ele é fundamental para que o médico possa avaliar se o tratamento está sendo bem sucedido ou quando é a hora certa de trocar os medicamentos. Por isso, as consultas médicas devem ser freqüentes. "É preciso que o médico conheça bem o histórico do paciente. Eles precisam construir uma relação de confiança", diz Schechter. Segundo o médico, nem sempre um insucesso no tratamento significa que ele falhou e, muitas vezes, antes de trocar a medicação, pode-se insistir um pouco e monitorar com exames, pois não são muitas as combinações disponíveis para quem não é virgem de tratamento.

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